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domingo, 25 de maio de 2014

MILHARES VÃO ÀS RUAS CONTRA MÁ GESTÃO DE RIBAMAR ALVES EM SANTA INÉS-MA

A exemplo das manifestações que tomaram conta do país no ano passado, Santa Inês viveu na tarde de ontem uma manifestação em prol da democracia e da qualidade de vida no município. Cerca de 5 mil pessoas, em sua grande maioria jovens, tomaram conta das ruas do Centro, com cartazes, faixas e palavras de ordem. Os manifestantes fizeram um ato público que ficou registrado nos anais da história como uma das maiores manifestações populares que a cidade já viveu.
Cansados de todo o caos a que está relegada a cidade, os integrantes do movimento #Juventude_Atenta deram o primeiro passo para a construção de
uma bem definida linha divisória na história do município: há um sentimento forte que diz que a cidade, como está, não serve para eles, assim como os políticos que aí estão, em sua grande maioria, não se encaixam, nem correspondem ao anseio popular de quem os colocou no poder.
O QUE QUEREM OS JOVENS QUE TOMARAM AS RUAS DE SANTA INÊS NA TARDE DE ONTEM?          
Analistas já previam que uma manifestação como essa explodisse na cidade como fruto das injustiças sociais, denunciando o aumento do desemprego, a falta de infraestrutura e mobilidade urbana, a ausência de leitos em hospitais, os arranjos na Educação, as deficiências na Saúde, a ineficiência do serviço de coleta di lixo, dentre outros fatores.
A inoperância do Executivo, somada à resignação e aquiescência do Legislativo foram para ela, a juventude, o estopim para um tardio, porém necessário grito por liberdade. O que querem os jovens que corajosamente pintaram os rostos e vestiram-se de preto, em luto pelo município? Dignidade! gritaram eles.
O trajeto iniciado na Praça das Laranjeiras foi o percurso também de autoridades políticas, civis, religiosas e sociais. Padre Ivo Ritter, líder religioso da Igreja Católica local acompanhou a manifestação de perto e destacou o seu papel para a construção de uma realidade melhor: “Eu vejo que a juventude está mostrando garra, está mostrando uma insatisfação com o trabalho que está sendo feito pelo nosso prefeito municipal e pela organização. É preciso que haja mais coerência e transparência por parte da prefeitura”, afirmou ele.
Comércio fechado
Já no momento da concentração, na Praça das Laranjeiras, a palavra de ordem no comércio era baixar as portas. Nem tanto para que os funcionários participassem da caminhada. Imperou nos lojistas o sentimento de medo de saques e depredações, manifestações tão comuns no Brasil a fora.

Apesar de nenhuma grande ocorrência de vandalismo, foi possível perceber entre os manifestantes a presença de adolescentes e jovens que chutaram portões de lojas, espalharam lixo e tentaram descaracterizar o movimento que iniciou pedindo aos participantes que mantivessem a ordem.
A presença da Polícia Militar durante todo o percurso da Rua do Comércio garantiu aos manifestantes o direito de protestar e reivindicar as melhorias tão necessárias para o município.

Atuação da PM e Guarda Municipal
A mesma PM que garantiu a segurança dos manifestantes durante o trajeto, estava na frente da Prefeitura e Câmara de Vereadores no final do protesto, desta vez para coibir e inibir atitudes de vandalismo que inevitavelmente acabaram acontecendo. Pelo menos três jovens foram detidos pela PM, duas moças e um rapaz por vandalismo. Desses, apenas a moça foi apresentada na delegacia.
Juventude_atenta mesmo debaixo de muita chuva continuou marchando até a Prefeitura e Câmara Municipal de Santa Inês
Os líderes do Juventude Atenta criticaram a atuação da polícia durante a manifestação: “Eles deveriam estar do nosso lado. Eles são tão cidadãos quanto qualquer um de nós aqui, mas por conta do sistema, agora defendem o a corja de políticos”, destacou um deles em entrevista. E complementou: “A PM está armada com armas de fogo como se nós fossemos criminosos, quando na verdade nós é que estamos tomando atitudes em defesa da nossa gente”.
A atuação da polícia foi criticada também por quem apenas observava a manifestação: “Nem em São Paulo e no Rio que reúne centenas de milhares de pessoas nas ruas em protestos, não se vê polícia utilizando armas de foto, mas aqui tem GOE e armas de grosso calibre”, ressaltou um professor acompanhando a concentração na frente da prefeitura.

Mais críticas foram direcionadas à PM quando o repórter Rony Rocha, da Tv Remanso, que cobria o evento, ao acompanhar o momento de uma detenção feita pela PM foi atingido por um jato de spray de pimenta disparado pela polícia para dispersar a multidão. “Os policiais tem de ter mais cuidado, estamos aqui trabalhando, e acionou o spray em direção às pessoas sem nem ao menos prestar atenção”, disse o repórter.

Apoio político
A pauta das reivindicações dos manifestantes recebeu apoio também do vice-prefeito do município, Ednaldo Lima (PT) que acompanhou a caminhada. “Este é o primeiro ato para que o prefeito entenda que ele não é o dono da cidade. O povo o colocou no poder o povo o tira do poder”, ressaltou Dino.
Os vereadores oposicionistas também estiveram na manifestação. Madeira de Melo (DEM), Creusa da Caixa (PSL) e Irmão Machado (PRP) foram vistos em diversos momentos da caminhada. No entanto, suas presenças não atribuiu caráter político ao evento convocado a partir das redes sociais.
Já o prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves (PSB), nas palavras do vice, “fugiu da cidade”, enquanto se desenrolava a maior manifestação pública contra um administrador público, para a cidade de Imperatriz onde se reúne com lideranças políticas daquele município em apoio ao pré-candidato ao governo do Estado Flávio Dino (PCdoB).

Próximos acontecimentos
No entanto, a manifestação de ontem não deve ser encarada como um episódio excepcional na história da cidade, mas como o precursor para uma nova política local que leve em consideração, prioritariamente, as necessidades básicas da população do município.
Os líderes do Juventude Atenta prometem para as próximas semanas outras manifestações que devem ganhar cada vez mais adesão popular, articuladas com movimento estudantil e movimentos sociais, que devem atrair ainda mais a atenção da mídia estadual e nacional para a cidade.

Já na Câmara de Vereadores, os legisladores, iniciam na próxima semana três CPI’s simultâneas que devem trazer à luz eventos ainda obscuros da atual gestão, apurando denúncias de irregularidades na Educação, e outras duas que vão investigar as obras de saneamento básico no município, e os altos preços do gás de cozinha cobrados em Santa Inês.
A pressão popular que tomou conta das ruas de ontem, deve ser presenciada nas próximas sessões da Câmara de Vereadores e em outros atos públicos que devem ser organizados.

Fonte: Agora Santa Inés